[Pessoal] Tá tudo bem não saber o que fazer aos 20 anos

28/03/2017
Você não é uma bagunça. Você é corajoso por tentar.

É tá tudo bem. Pode parecer que não mas tá tudo bem!

E tá tudo bem não saber o que fazer aos 23 e aos 29 também. E aos 40 porque não?

Esta tudo bem. Repete comigo. Se não, vai ficar. 

Eu sei pode parecer estranho, mas você precisa saber disso principalmente vindo de alguém que tem 22 anos e meio que ainda não sabe o que fazer.



Quando eu criei a ideia desse blog eu não sabia o que eu queria fazer com ele. Eu tinha um nome e tinha uma ideia mas ela não me parecia boa o suficiente. Quando eu finalmente decidi que seria um blog sobre cultura pop, nerd e etc eu comecei a me perguntar se era mesmo o que eu queria. Se eu não iria me decepcionar depois por dedicar tempo a uma coisa que eu não sabia bem para que serviria. Se eu iria gostar ou fazer por pressão alheia. Mil e uma perguntas sobre o futuro, mas nenhuma resposta.

Se identificou com isso? É bem o que você sente quando tem que escolher qual faculdade você vai cursar.

Vivemos num cenário de instabilidade política, financeira e muitas vezes emocional, por que não? Mas poucas são as pessoas que se preocupam com o cenário. O que importa é a resposta dos indivíduos incluídos nesse cenário e como eles podem parecer melhor do que a situação toda. 

Desde que começamos o primeiro dia do ensino médio as perguntas sobre "o que você quer fazer do seu futuro" começam a pipocar. Alguns sabem responder isso de primeira, outros descobrem a resposta no meio do caminho e outros ainda descobrem só aos 45 do segundo tempo, na hora da inscrição do vestibular. Alguns tem 100% de certeza de suas respostas e outros, apenas 50%. Mas eles tem algumas certezas. Diferente de uma seleta minoria que cai num vortex de "eu não sei o que fazer". E é geralmente, em cima dessas pessoas que a sociedade cai. 

E ai, meu caro leitor desse post, é que a coisa começa a ficar feia.

Com 17 anos você não tem certeza de muita coisa, nem do que vestir e ouvir, muito menos de uma profissão que você supostamente deve exercer pelo resto da vida - sim supostamente porque ninguém deveria ser obrigado a fazer por 50 anos uma coisa que você decidiu aos 17. Mas a sociedade tá ai, em cima de você porque bem, o cenário tá ruim, mas você não deve ser tão ruim quanto ele. E é num desses momentos que por pressão você escolhe engenharia civil e acha que vai ficar tudo bem, sendo que você é, desde que se lembra, alguém da área de humanas. 

Alguns abraçam a infelicidade de fazer algo que não gostam de fazer. Outros, porque não, acabam descobrindo que são bons naquilo e tá tudo bem. Ele pode viver com aquilo. Já alguns, como eu, até sabem o que gostariam de fazer, mas se veem presos numa escolha que não foi bem sua. Uma escolha que te obrigaram a tomar.

E é agora, depois de todo meu blablabla que meu conselho vem: sai dessa. Isso mesmo pula fora. 

Qualquer coisa que sugue a sua saúde mental, seu bem estar, sua vontade de viver, por mais que renda dinheiro e status não deve ser tentada por ti. Isso mesmo, tranca essa faculdade, sai dessa ideia que você não pode fazer o que você quer na vida somente. Você deve fazer o que você quer. Porque a vida, para começo de conversa é sua. 

Talvez ao pular fora, você pense "e agora o que eu vou fazer?" Hey, tá tudo bem. Não precisa procurar desesperadamente por uma resposta. Há um milhão de jeitos de se ter dinheiro sem ser com uma profissão. Pode ser com um emprego digno, pode ser vendendo a sua arte, pode ser produzindo um conteúdo via web. Pode ser fazendo aquilo que seus pais sempre disseram que nunca daria dinheiro mas você ama. 

E também há um milhão de jeitos de se obter uma resposta sobre o que você quer realmente fazer. Tire seu tempo. Vá ler, caminhar, procurar um emprego ou simplesmente continuar com o emprego que você tem, mas não é numa área que a sociedade considera de prestigio, mas você gosta. Há um milhão de jeitos de se descobrir o que você quer fazer. Algumas respostas aparecem cedo outras nem tanto.

Só acalme seu coração. E ela vai aparecer.

E aprenda: você já é alguém. Mesmo não tendo o mesmo status que seus amigos do ensino médio tem agora, ou o sucesso que seu primo que cursou engenharia e ganha 4000 mil por mês tem. Você já é alguém por simplesmente existir. Por estar aqui tentando, mesmo não obtendo os resultados esperados pela sociedade. Reconheça seu esforço. Se ame. 

E acima de tudo, tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. Uma faculdade, dinheiro, sucesso numa carreira, nada disso define quem você é. Se o mundo não consegue ver isso, tenha certeza de aceitar isso em seu coração. E tomar o seu tempo para descobrir as respostas. Porque eu sei bem como é duro escolher uma coisa porque querem que você escolha. Eu sei bem o que é achar que você não é ninguém aos 20 e pouco quando na verdade, você sempre foi. 

Ter desistido de duas faculdades ou não saber o que cursar agora não define seu caráter nem seu sucesso daqui 10 anos. E tudo bem se você não quiser trabalhar num escritório e escolher se tornar tatuador ou fotografo. Você está fazendo algo que gosta. E só por isso, algum retorno você vai ter.

Viva o seu tempo, e tenha certeza, que em algum momento, os outros vão aceitar como você funciona.

Palavra de quem já desistiu de duas faculdades e não sabe se deve fazer enfermagem, veterinária ou publicidade. Palavra de quem aos 20 anos achava que não era ninguém, e hoje aos 22, está orgulhosa de ser quem é. De ser uma jedi com muita coisa para descobrir sobre o universo ainda.

Repete comigo: tá tudo bem. 



2 comentários:

  1. Eu fui para a faculdade dos meus sonhos, mas quando cheguei lá vi que não estava pronta para aquele novo mundo. Lá na faculdade conheci uma garota que tinha se graduado em um curso diferente e agora estava dando início no mesmo curso que eu, essa garota tinha se graduado por pura pressão dos pais, mas de todo modo ela me inspirou a sair da faculdade e refletir que nunca é tarde para recomeçar. Eu amo aquele curso, mas sei que ainda não chegou minha hora e com isso vou vivendo a vida até me sentir totalmente plena com minhas escolhas...

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  2. Eu escolhi a minha faculdade por pura pressão. Houve um momento em que a minha mãe me disse "Abre o site da faculdade tal ai (não vou fazer propaganda de graça praquela merda sorry) e escolhe um curso." só isso. Abre o site e escolhe um curso. Assim. Agora. Aos 19 anos. Ok, ok, eu não tinha passado em nenhuma faculdade pública e não havia nem sequer olhado para os estudos por um ano inteiro, no qual eu só trabalhei. Eu olhei os cursos e escolhi aquele que mais parecia me interessar. Mesmo eu nunca na vida tendo nem olhado direito para propagandas, eu escolhi publicidade. Acabei acertando o gol. Foi tipo final de copa do mundo sendo definida nos penalts e ai eu fui bater o último. Eu acertei. Sou feliz. Quero fazer isso para o resto da minha vida, lidar com comunicação. Mas aos 19 anos isso tudo parecia um pesadelo, um caminho horroroso, sombrio, cheio de dragões, stormtroopes e ninjas do mal. Hoje, com 22 anos e a um semestre de terminar a faculdade (que foi, como qualquer outra, a base de sangue, suor, lágimas, tristeza, insegurança, streese, enxaquecas, noites mal dormidas, choro e etc) eu sei que sou alguém bem sucedida. Não, eu não trabalho na agência dos meus sonhos, na verdade sou só uma estagiária com alguns sonhos e aspirações grandes demais para mim, mas eu tenho orgulho, porque, hey, eu sobrevivi, e isso é o que importa. E, hey², se você não tem essa história para contar, ok, como a Caas (só para os íntimos por favor ¬¬) disse, ta tudo bem, se orgulhe de quem você é, porque no final, independente de quantos diplomas você tiver, é o que você é por dentro que vai importar ;)
    ALiás, te amo mana <3

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